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ROG Phone: o smartphone gamer da ASUS [Análise / Review]

12:25 | Por Wellington Arruda | 06 de Fevereiro de 2019
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O ROG Phone é um smartphone bem diferente. Ele foi lançado em 2018, e tudo bem que nós não vimos uma centena de celulares assim, mas comparando ele com os outros você entende onde a Asus quis chegar. E chegou, no caso.

Ele tem esse visual diferente de, basicamente, todos os aparelhos que vimos no ano passado. Ele mistura o vidro com partes de metal (e esse cantinho aqui de alumínio, aparentemente), dando esse aspecto de mosaico na traseira, mas ainda bem robusto. Ainda temos cantos arredondados (com Gorilla Glass vidro 3D e 2.5D) para uma pegada mais suave, além desses detalhes em cobre que ficam bem legais.

Só que, olhando bem de perto, o ROG Phone não é um smartphone relativamente confortável. Ele pesa 200 gramas e é bem grande, então no uso diário você pode sentir desconforto. O leitor biométrico está numa posição esquisita, mas a grande vantagem nisso tudo é que para jogar o aparelho fica bem firme nas mãos.

Ao todo ele carrega três microfones com redução de ruído, entrada para fones (P2) e uma porta lateral para encaixar acessórios como o cooler que vem na caixa do aparelho. E você vai precisar escolher entre a versão com 128 ou 512 GB, visto que não há slot para cartões microSD. O smartphone, ainda assim, aceita dois chips de operadora e, de quebra, tem esse LED RGB na traseira.

Ele é puramente estético e carrega o logo da Republic Of Gamers, mas também pode consumir mais energia. Na Central de Jogos você pode escolher a cor do LED, se ele vai ficar trocando de cores, se vai piscar, a intensidade que ele vai piscar e o brilho. Ah, claro, e ele também indica quando o celular entra no Modo X, que não faz nenhuma mágica além de trocar o tema do celular, reduzir o consumo de outros apps em segundo plano, bloquear notificações e afins.

O ROG tem um display AMOLED de 6 polegadas, que suporta reprodução de conteúdo e de jogos em HDR, tem formato 18:9 e resolução de 2160 x 1080p. O diferencial dele é ter uma taxa de atualização de 90Hz e tempo de resposta de 1ms. Isso proporciona movimentos mais suaves durante as jogatinas, mas é preciso lembrar que não está disponível para todos os títulos da Play Store, ainda tendo em vista que a grande maioria não passa dos 60fps.

A Asus cita que ele tem brilho aproximado de 550nits, e de fato o painel é brilhante. As cores também são mais saturadas e há fidelidade, ainda considerando que você pode calibrar as cores e contraste. Ainda em tempo, o ROG tem duas saídas de som potentes e de alta qualidade, mas também mantém a mesma reprodução com fones e acessórios Bluetooth.

Agora, duas coisas importantes sobre o design do ROG: primeiro, o sistema de resfriamento por vapor dele não é milagroso, mas não vimos ele passar dos 44 graus; com o cooler no máximo, a temperatura máxima ficou nos 38 graus. A propósito, o acessório ainda tem portas USB-C e P2.

No cotidiano, a média tende a chegar aos 31 graus (em uso ou jogando), mas ele consegue dissipar bem o calor e jogar esse número para os 26-27 graus pouco tempo depois de aquecer.

Segundo, temos os AirTriggers, que são sensores de pressão nas laterais do ROG. O recurso serve para ativar o Modo X, mas também simulam botões adicionais quando ele está na vertical. Lá no Game Center você pode configurar a sensibilidade e também mapeá-lo para alguns jogos.

A impressão que ficou é que os AirTriggers podem facilitar como botões “L1” ou “R1”, mas também de que ele ainda precisa de melhorias. Talvez não no hardware em si, já que é há como calibrar, mas sim na adoção em jogos e na ideia colocada em prática. Pessoalmente, é um adicional interessante/dispensável, mas que pode ajudar em games FPS.

O ROG Phone usa o chip Snapdragon 845, mas diferentemente opera em 2.96GHz. Isso, resumidamente, significa que a CPU mais potente pode segurar o tranco por mais tempo, mas pode esquentar continuamente o celular enquanto acelera o desempenho. Ele, por exemplo, não enfrenta problemas de redução de FPS ou desempenho em jogatinas mais longas, e um dos motivos está aqui.

No seu hardware nós temos a mesma GPU Adreno 630 de outros celulares com o mesmo chip, mas com a diferença do celular da Asus ter 8 GB de RAM. Considere, então, o seguinte: ele é capaz de realmente aproveitar o máximo dos jogos que temos atualmente, então múltiplas tarefas em segundo plano e apps pesados não serão sinônimo de baixa fluidez.

Imagine o seguinte: o ROG é, sim, muito bom e fluido para quem curte jogos, e certamente pode suprir as suas necessidades cotidianas.

Médias de FPS: Asphalt 9: 30 FPS; Alto’s: 60 FPS; GTA: SA: 30 FPS; Marvel - Torneio de Campeões: 40 FPS. Ragnarok funcionou duas ou três vezes, mas passou a apresentar falhas de compatibilidade.

Ele vem com Android 8.0 Oreo instalado, e lá na Central de Jogos você pode ver o status do hardware em funcionamento, calibrar a velocidade do cooler (quando acoplado) e também configurar o Game Genie. Ele é a central para os jogadores que querem fazer streaming, gravar, liberar memória, ativar o anti-aliasing e ajustar a frequência da CPU de acordo com a preferência. Vale lembrar que alguns recursos do Game Genie estão em fase beta. A seguir, vocês podem conferir resultados de benchmark obtidos pelo ROG (eles estão listados primeiro com o 'Modo X' e depois sem ele).

  • AnTuTu: 297.555 e 261.138;
  • 3DMark: 4.727 (OpenGL ES 3.1) / 4.169 (Vulkan) e 4.750 (OpenGL ES 3.1) / 4.332 (Vulkan);
  • Geekbench: 2.470 (single-core) / 9.287 (multi-core) e 2.528 (single-core) / 9.330 (multi-core);
  • PCMark: 8.051 (Work 2.0) e 8.648 (Work 2.0).

Bom, o ROG tem 4.000 mAh de bateria e suporte ao Carregamento Rápido 4.0, que devolve a energia inteira em cerca de 1h30 minutos. A descarga média dele consumindo conteúdo em vídeo foi de 9%, mas em jogos ela pode variar bastante. Com títulos online, obtivemos um consumo médio de 20 a 25% por hora, e em títulos offline batemos uma média de -17%/hora.

A Asus também colocou dois sensores de câmeras na traseira, sendo o principal com 12 MP (OIS - f/1.8) e um secundário de 8 MP que é grande grande angular. Na frontal, há um sensor de 8 MP (f/2.0). Há de se dizer que o hardware forte do ROG acrescenta boas capacidades, como a de gravar em câmera lenta com até 240 fps ou em 4K com 30/60 fps.

Imagem capturada com a câmera principal do ROG Phone. (Foto: Wellington Arruda)

Em algumas situações, comparamos o ROG Phone e o Pixel 3. O primeiro deles, voltado para gamers e desempenho, e o segundo com as fotografias em primeiro plano. Neste caso, o comparativo se vale apenas das câmeras, mas entendam que o hardware bruto do ROG ainda é mais “potente”, considerando também a maior quantidade de RAM. É de se notar, também, que o sensor principal do celular da Asus tem ângulo de captura maior do que o do Google.

Ele também usa o mesmo processador de sinal de imagem de outros celulares com Snapdragon 845, mas, claro, com o know how da Asus. Sendo assim, naturalmente, falando sobre o segundo sensor, as imagens contam com efeito para fotografar lugares mais amplos.

Imagem capturada com a câmera de ângulo aberto do ROG Phone. (Foto: Wellington Arruda)

Entende-se também que o sensor que captura mais espaço também tem “menos qualidade”. Neste caso, ele perde nitidez e tende a borrar detalhes menores, deixando de lado também a textura dos objetos, árvores e afins. As cores continuam vibrantes, mas com aspecto menos empolgante do que com o sensor principal (mas com menos distorções nos cantos com esta lente em relação ao Zenfone 5, por exemplo).

Imagem capturada com a câmera de ângulo aberto do ROG Phone. (Foto: Wellington Arruda)

Agora, pra galera que curte fazer fotos com o modo retrato, temos aqui um claro exemplo onde o Pixel se demonstra superior ao ROG. No celular do Google, a imagem é mais fechada porém com um nível muito maior de detalhes, nitidez e coloração mais acertada. O desfoque de fundo também tem intensidade e níveis de correção mais ajustados do que o ROG.

ROG Phone na Direita e Pixel 3 na esquerda. (Fotos: Wellington Arruda)
ROG Phone na Direita e Pixel 3 na esquerda. (Fotos: Wellington Arruda)


No caso do celular da Asus, o modo de fotografias com o fundo desfocado faz o que muita gente odeia: elimina detalhes e borra seu rosto. Ele vem com um filtro que torna a tonalidade da pele diferente por causa das “correções”, então coisas consideradas como “imperfeições” para o software, como no caso de uma simples barba, são borradas. O ROG erra muito mais que o Pixel em fotografias assim. É válido lembrar que tanto ele quanto o Pixel permitem a você ajustar a intensidade do desfoque.

ROG Phone na Direita e Pixel 3 na esquerda. (Fotos: Wellington Arruda)
ROG Phone na Direita e Pixel 3 na esquerda. (Fotos: Wellington Arruda)

No sensor principal, o celular da Asus já se mostra um competidor mais apto. Ele tem uma boa gama de detalhes e cores precisas, mas se você der um zoom nas imagens perceberá que os objetos do fundo ainda perdem muitos detalhes.

ROG Phone na Direita e Pixel 3 na esquerda. (Fotos: Wellington Arruda)

Fotos noturnas também são divertidas com este aparelho. O HDR dele tende a “esclarecer” as cenas, algo como o que o Pixel faz com o HDR+, mas com menos intensidade. Algo que presenciamos em ambos, porém com mais intensidade no Pixel com o Visão Noturna, é que o balanço de branco simplesmente muda a tonalidade das luzes: o que é amarelo fica branco, o que é branco fica azul. Simples assim, só que mais em cenários abertos.

ROG Phone na Direita e Pixel 3 na esquerda. (Fotos: Wellington Arruda)

Os resultados do ROG são legais, sim, para fotografias durante a noite. Mas, claro, algo precisa ser compreendido com isso tudo: o ROG é bem legal para jogar e bom para fotos. Nada acima disso, e ainda repetindo erros já conhecidos da linha Zenfone.


Neste caso, se fôssemos comparar o ROG com o Pixel 3 diretamente, o ROG ganharia em desempenho e ficaria bem para trás no quesito fotos.

De uma maneira bem direta, o ROG é o tipo de smartphone ideal para quem é streammer mobile ou pretende ser. Ou, então, para quem se encaixa no perfil de jogador assíduo e pretende/prefere as plataformas móveis. Por outro lado, se você é um jogador casual, tenha outros smartphones com hardware semelhante (S855 + boa quantidade de RAM LPDDR4) terão boa performance com games, mas sem os adicionais do ROG.

Bem, ele é showroom e foi criado para gamers que não são apenas “gamers casuais”. Tanto que existe um recurso para sincronizar os LEDs da traseira com outros ROG Phones da sua equipe de jogadores, por exemplo.

Na lista de “problemas e queixas”, ele não tem certificação contra água ou poeira, e se você perder essa “portinha” aqui vai deixar o conector com duas USB-C exposto. Em vários jogos percebemos que ele só consegue iniciar, mas não fazer login, o que nos remete a problemas de compatibilidade. Esse outro ponto nos leva ao fato de que poucos jogos aproveitam o hardware potente que ele traz. O leitor biométrico também traz sensação mediana e seus acessórios são tão caros quanto o próprio celular.

Por outro lado, ele tem uma tela ótima para jogos (quando você encontra os compatíveis), a performance é muito boa para basicamente todas as atividades atuais, as saídas de som são potentes e o áudio é compatível com Hi-Res, DTS e afins.

Lá nos EUA, o ROG Phone é comercializado atualmente por US$ 899 com 128 GB ou US$ 1.099 com 512 GB. Já os acessórios variam em US$ 89 - joystick, US$ 399 - segunda tela (dios), US$ 119,99 - dock e mais.

A justificativa do preço e o motivo pelo qual o ROG não chegou ao Brasil foi explicada pelo ex-CEO da Asus, Jerry Shen, em entrevista ao Canaltech. Em resumo, ele disse que o produto fica inviabilizado de ter seu lançamento por aqui porque “seria o preço de uma moto”.

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