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YouTube é criticado por dar destaque a vídeo sexista que critica Katie Bouman

Por Se Hyeon Oh | 12 de Abril de 2019 às 21h20
EHT

Nesta semana, fomos agraciados com a primeira foto real de um buraco negro da história, bem como conhecemos melhor o trabalho de Katie Bouman, que acabou ganhando notoriedade da mídia pelo seu trabalho com o Event Horizon Telescope (EHT), pelo qual a imagem do buraco negro que fica no centro da galáxia M87 foi obtida. Entretanto, parece que nem tudo são flores nessa história, e até mesmo o YouTube está envolvido em uma polêmica envolvendo o feito de Bouman — a plataforma está sendo bastante criticada por impulsionar um vídeo sexista que descredita a engenheira.

No momento em que a Katie começou a receber os holofotes dos jornais, um grupo criou sua própria versão da história, acusando-a de estar, supostamente, lucrando com o trabalho duro de outro colega da equipe do EHT. Essa falsa narrativa chamou a atenção de tal forma que, de acordo com o Business Insider, o vídeo do canal Mr. Obvious — que continha essas acusações — se tornou o resultado principal do YouTube quando as pessoas pesquisavam pelo nome Katie Bouman.

O vídeo, intitulado de "A mulher faz 6% do trabalho, mas obtém 100% do crédito" (na tradução literal), afirma que um homem chamado Andrew Chael havia escrito mais de 850 mil linhas do código do algoritmo que permitiu realizar a captura da foto, enquanto a Bouman teria colaborado com apenas poucas linhas.

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Esse vídeo acabou ganhando uma repercussão tão grande que o próprio Andrew Chael comentou sobre o caso no Twitter, por onde protegeu a sua colega e negou o conteúdo do Mr. Obvious, afirmando que Bouman contribuiu de forma grandiosa ao trabalho e que o resultado final não poderia ter sido alcançado sem os esforços dela. Mesmo após a manifestação de Andrew, no entanto, o canal do YouTube não mudou a sua posição e disse que, pelas suas contas, Katie teria escrito apenas 14% do código e que “isso não muda o fato de que 80% dos cientistas envolvidos serem do sexo masculino”, os quais teriam realizado a grande maioria do trabalho.

Isso levou vários usuários do Twitter a criticarem o YouTube, que estaria permitindo que o vídeo em questão pudesse ser mantido no topo dos resultados de pesquisa dentro de sua plataforma. Eventualmente, o tal item acabou saindo da lista de resultados e, pelo visto, ele acabou perdendo o destaque após o YouTube ter adicionado Bouman à sua lista de tópicos de pesquisa relacionados a notícias.

Fonte: Business Insider

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