Engenheiros colocam computador do programa Apollo para minerar bitcoin em teste

Por Wagner Wakka | 10 de Julho de 2019 às 23h10
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Cientistas da NASA puseram novamente as mãos no Apollo Guidance Computer (AGC), um computador do tamanho de uma pequena geladeira que foi usado para auxiliar o programa que levou uma primeira tripulação à Lua. O aparelho estava inutilizado na NASA, sendo que um grupo resolveu religá-lo para testar as capacidades do dispositivo. Um deles foi de saber se a CPU seria capaz de minerar bitcoins.

O AGC era um aparelho bastante avançado para sua época, quando computadores poderiam ser até do tamanho de cômodos inteiros em prédios. Ele também foi um dos primeiros a contar com circuitos integrados, algo hoje muito comum em processadores atuais.

Cientistas queriam preservar a história do histórico computador e decidiram colocá-lo para funcionar. O chefe do time, Ken Shirriff, então tentou usar o aparelho para mineração de bitcoin — e a peça conseguiu realizar a ação, ainda que com uma má nóticia.

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Parte do AGC (Foto: Tamorlan)

Para fazer a mineração de uma criptomoeda atualmente, é preciso que um computador pegue uma sequência gigantesca de números e seja capaz de identificar uma sequência grande de zeros que indique uma nova cadeia de blockchain. Em uma estimativa recente, é preciso que um computador traduza um total de 10²² tentativas para conseguir encontrar um bloco possível para bitcoin.

No caso do AGC, ele consegue criar uma tentativa a cada 10 segundos, em comparação com computadores especializados que podem fazer até um trilhão delas em apenas um segundo. Apesar disso, a ferramenta não é nem um pouco eficiente. “Ele é tão devagar que demoraria cerca de um bilhão de vezes a idade do universo para conseguir minerar um bloco de bitcoin apenas”, explica Shirriff.

Outra dificuldade que o engenheiro teve com o computador foi com a linguagem. A máquina trabalha em 15-bits, sendo que a tecnologia para o bitcoin precisa de uma com 32-bits, pelo menos. Para isso, ele separou peças de cálculos em pedaços com 4-bits e outros dois de 14-bits.

Vale ressaltar que tudo não passou de um teste, apenas. O experimento buscou somente entender mais sobre o computador "jurássico" e seu funcionamento nos dias de hoje, mantendo a peça ainda viva para estudos históricos dentro da NASA mesmo 50 anos após ter sido usada em uma missão real.

Fonte: Ken Shirriff Blog

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