Os 10 melhores filmes cults para assistir na Netflix

Por Sihan Felix | 07 de Junho de 2019 às 09h58
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Um filme cult não é cult por ter qualquer carga de cultura superior. Não se trata de uma obra de qualidade irretocável ou imune a críticas negativas. Também não se trata daqueles filmes que você precisa assistir sentado em uma poltrona que reclina, fumando um cachimbo, tomando uma taça de vinho do Porto, com as pernas organizadamente cruzadas e com uma expressão blasé. Aliás, existe esse tipo de filme?

A melhor tradução para filme cult é a do português de Portugal. Enquanto, por aqui, a tradução ficou pela metade (cult movie se transformou em filme cult), na terra do Pastel de Belém a expressão é filme de culto, ou seja: aquela produção que é cultuada por uma base de fãs. Dito isso, um filme cult pode ser aquela grande produção hollywoodiana que foi um fracasso de bilheteria e poderia ter sido esquecida por isso ou aquele filme obscuro, transgressivo, que é muitas vezes evitado pelos cinemas de shoppings.

A verdade é que existe muita dificuldade na definição sobre o que é, afinal, um filme cult, o que torna, no final das contas, um filme cultuado por um grupo de pessoas adeptas à sua linguagem, sua forma e seu conteúdo. Como classificação, a expressão foi utilizada pela primeira vez na década de 1970 (quando cult já era uma palavra até certo ponto comum para críticos) e começou a ser difundida para descrever muito do que cercava os filmes mais undergrounds, aqueles exibidos em sessões da meia-noite.

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A gama de definições é realmente ampla: filmes controversos e mantidos vivos por fãs devotos; filmes redescobertos e que só ganharam admiradores muito tempo depois do lançamento oficial (muito devido ao valor camp deles); filmes que quebram tabus culturais; alguns que apresentam sequências de excessiva violência e/ou sexo; filmes gore; e existem aqueles que são cults instantâneos pela sua expressiva baixa qualidade – aqueles que de tão ruins se tornam um evento, como o já clássico cult The Room (de Tommy Wiseau, 2003).

Outro ponto interessante é que, para uma vertente cult, tais filmes merecem entrar nessa classificação somente por serem rechaçados pela maior parte da crítica especializada: aqueles censurados, proibidos, chamados de incompetentes... mas, para ser aceito como tal por uma maioria adepta, precisam sustentar um leque enorme de controvérsias – essa talvez seja a maior dificuldade dos blockbusters em aliarem o grau comercial ao título de filme cult.

Há muito o que se discutir sobre quais filmes podem entrar na classificação. Por isso mesmo a ideia desta lista é mesclar de tudo: dos cults raiz aos cults Nutella. Filmes que passeiam pela história underground do cinema e também um ou outro blockbuster fracassado que se tornou cultuado posteriormente. Uma lista com 10 é, infelizmente (ou felizmente), muito enxuta – apesar do catálogo da Netflix não ter uma enxurrada de filmes cults. Então, acréscimos serão sempre muito bem-vindos nos comentários. Até porque nada aqui é verdade absoluta. Com certeza, as verdades são muitas e os comentários estão abertos para todas.

Vamos à lista dos 10 melhores filmes cults disponíveis na Netflix (em ordem de lançamento):

Monty Phyton Em Busca do Cálice Sagrado (1975)

Seria praticamente um crime não colocar Monty Phyton aqui na lista. [...] Em Busca do Cálice Sagrado é daqueles filmes que, se você está com disposição para se entregar e comprar a ideia dos Cavaleiros que dizem Ni, pescando as referências do humor cru e ao mesmo tempo refinado da trupe, é uma obra-prima incontestável.

Os Cinco Venenos de Shaolin (1978)

Coescrito e dirigido pelo lendário Cheh Chang (diretor com 95 longas-metragens cadastrados no IMDb), Os Cinco Venenos de Shaolin se destaca principalmente por dois motivos: o trabalho coreográfico de artes marciais é das coisas mais incríveis produzidas pelo cinema e, por mais que se trate de um filme centrado nessas artes, trata-se de um thriller. Há sempre uma tensão no ar, diversos plot twists. Quando lançado, em 1978, o filme teve seu grau de pioneirismo. Hoje, arrasta muitos fãs, especialmente pelo nome cultuado de Chang.

Cheech e Chong Atacam Novamente (1980)

Lançado por aqui também como As Novas Aventuras de Cheech e Chong, a classificação do filme como cult se deve ao fato de que os atores Cheech Marin e Tommy Chong são artistas de estilo único, inimitável e loucamente indefinido. Não dá para dizer que o filme fará todos gargalharem, mas é um objeto de estudo que funciona bem para quem aceitar a viagem pateta da dupla. E aí, ao gostar, procurar conhecer os outros filmes da dupla acaba se tornando um vício.

A Marca da Pantera (1982)

Se o diretor Paul Schrader pode dispensar maiores apresentações, sendo, hoje, um dos maiores e mais respeitados nomes do cinema mundial, A Marca da Pantera talvez seja um daqueles filmes que fogem um pouco da sua veia mais dura – especialmente se for levada em conta sua carreira como roteirista. Como escreveu Roger Ebert no ano de lançamento do título (1982): “é um filme de fantasia e horror que se leva a sério apenas o suficiente para funcionar” e “tem diversão suficiente para ser divertido”. Ebert não se enganou e A Marca da Pantera tem uma legião enorme de fãs dispostos a eternizá-lo.

Akira (1988)

Eis uma daquelas animações incontestáveis em vários níveis e que, rapidamente, ganhou prestígio – especialmente entre os amantes de animes. Richard Harrington, crítico do Washington Post no ano seguinte ao lançamento de Akira, escreveu que o trabalho do diretor e roteirista Katsuhiro Ôtomo poderia ser visto como “um exemplo visceral do futuro da animação”. Ele não estava errado. Além de consolidar sua base de fãs e ser visto como uma obra-prima da história do cinema por muitos, o anime foi e é constantemente referenciado e lembrado, fazendo parte, hoje, de uma espécie de panteão de obras essenciais.

A Noite dos Mortos-Vivos (1990)

Em 1960, o lendário George A. Romero apresentou ao mundo uma das suas obras-primas: A Noite dos Mortos-Vivos. O filme viria a se tornar um clássico do cinema, seja em sua completude ou na esfera cult. Mais tarde, o próprio Romero escreveria o roteiro deste remake dirigido por Tom Savini e disponível na Netflix. Até então, A Noite dos Mortos-Vivos é o primeiro e único filme dirigido por Savini e, com o aval de Romero, é um dos ótimos remakes que o cinema pode ser capaz de produzir. Resta saber se o público está disposto a embarcar na experiência do filme antes de assistir à obra original. De qualquer forma, ambas valem muito a pena.

Um Drink no Inferno (1996)

Cult ou emulação de trash mirando fãs do gênero? Um Drink no Inferno pode ser controverso em uma lista como essa, mas, simultaneamente, pode ser muito válido. Dos diálogos bem escritos a uma espécie de esquecimento do próprio roteiro quando a violência se instala, o filme faz justiça aos amantes de uma carnificina maluca em meio a uma briga de bar: com criaturas bizarras, vampiros e tudo o que se tem direito. Vale ressaltar, também, que se trata de um roteiro de Quentin Tarantino (quem mais tem fãs fervorosos?) e a direção é de Robert Rodriguez (talvez este). Ainda, o filme conta com a estreia oficial de George Clooney no cinema como protagonista junto a ninguém menos que o próprio Tarantino (sempre hilário e bizarro em cena) e com Salma Hayek absolutamente maravilhosa.

Cubo (1997)

Com uma base de fãs fervorosos e uma base de detratores, Cubo é um filme controverso. Seus diálogos banais e expositivos escondem uma alegoria sobre futilidade, confiança e, especialmente, sobre procrastinação. O que é se dar ao luxo de fazer absolutamente nada? Com baixo orçamento, o corroteirista e diretor Vincenzo Natali conseguiu criar uma obra que atraiu, sobretudo, um público fiel, disposto a acompanhar a sua carreira. Eis que surgem outros filmes a serem considerados cults, como Cypher (2002) e Splice – A Nova Espécie (2009).

A Reconquista (2000)

Como esse filme veio parar em uma lista de melhores filmes cults? Bem... há gosto e desgosto para tudo. Como citado na introdução, o clássico cult The Room tornou-se de fato um evento. De tão ruim, passou a ser cultuado como uma obra válida, dando asas, inclusive, para Artista do Desastre (de James Franco, 2017) – que merece ser assistido após a experiência do filme de 2003. A Reconquista, três anos antes, quase foi por esse caminho, mas naufragou. É um filme que de tão ruim tornou-se pior. Cultuado provavelmente por uma categoria que pode ser denominada de cinéfilo-mazoquista, sua única salvação é ver o John Travolta afogado em uma maquiagem alienígena tosca tentando ser muito engraçado. Talvez seja um filme desagradável demais para valer a zoeira, mas, de repente...

Raw (2016)

Grave (no original) explora com muita inteligência a feminilidade. Sua diretora, a francesa Julia Ducournau, em sua estreia para o cinema, consegue dar profundidade aos apetites do corpo junto a uma consagração sangrenta. Medonho do começo ao fim, especialmente devido a efeitos sonoros extremamente realistas e perturbadores, Raw (versão do título em inglês pela qual ficou conhecido por aqui) não demorou a ganhar o status de cult e a se tornar sujeito de discussões sobre esse estigma... justamente por ser um filme tão recente.

Bônus Adam Sandler: Zohan: O Agente Bom de Corte

Dizer que Sandler tem uma espécie de base fanática é chover no molhado. Seus filmes podem até não serem os cults que a maioria vê como cults, mas, no final das contas, se for levada em consideração somente a tradução portuguesa filme de culto, qualquer filme do sujeito poderia entrar aqui. Mas vamos a um filme bizarro para enriquecer os porquês: Zohan: O Agente Bom de Corte. A sinopse oficial já pode valer como argumento para um candidato a filme cult: “Um soldado das Forças Especiais de Israel finge sua morte para que possa ressurgir em Nova York como cabeleireiro.” Só assistindo para tentar classificar essa comédia bizarra dirigida por Dennis Dugan, que esteve à frente da maioria dos filmes protagonizados por Sandler.

Menções honrosas

  • A Vida de Brian (1979): Por motivos de Monty Phyton.
  • Curtindo a Vida Adoidado (1986): Um clássico do cinema que provavelmente tem a maior quantidade de fãs cultuadores de uma comédia ao redor do planeta.
  • Cães de Aluguel (1992): Por ser o cultuado primeiro filme comercial dirigido por Tarantino e, até hoje, um dos melhores de sua carreira.
  • O Profissional (1994): Uma menina de 12 anos de idade – interpretada por Natalie Portman em sua estreia – aprendendo o ofício do assassinato com um profissional do ramo, interpretado pelo francês Jean Reno. Além disso, o filme é dirigido por Luc Besson e conta com Gary Oldman.
  • O Fantasma do Futuro (1995): Assim como Akira, Ghost in the Shell mudou a forma de se ver o cinema de animação – mais especificamente o modo de pensar a ficção científica.

Ficam, então, as indicações e o espaço dos comentários para acréscimos e tudo o que desejarem. Tenho certeza que vocês conseguirão complementar e enriquecer tudo o que está aí.

Bons e ruins filmes para nós!

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